Proteínas vegetais com atividades inseticidas

Foto: Tatiana Soares, 2015.

Foto: Tatiana Soares, 2015.

Título: Proteínas de Origem Vegetal Com Atividade Inseticida Sobre Insetos-Praga

Os insetos são os maiores responsáveis pelas perdas quantitativas e qualitativas durante armazenagem de grãos. O controle destas pragas através da aplicação generalizada de inseticidas sintéticos está associado a efeitos indesejáveis como, por exemplo, riscos ambientais, desenvolvimento de resistência no inseto e riscos à saúde humana devido ao acúmulo de resíduos químicos nos alimentos. Sendo assim, métodos alternativos de controle têm despertado interesses de muitos pesquisadores. Neste contexto, compostos de origem vegetal vêm sendo avaliados devido à biodegradabilidade e seu potencial inseticida sobre diferentes pragas de grãos. O objetivo desse projeto é investigar a atividade inseticida de lectinas e inibidor de protease de origem vegetal sobre adultos de Sitophilus zeamais (gorgulho-do-milho).

A metodologia empregada para avaliação dessa atividade inseticida de lectinas e inibidores de protease baseia-se em bioensaios que incorporam a lectina em dietas artificiais oferecidas aos insetos, os quais morrem por diversos distúrbios nutricionais e fisiológicos. A ingestão de lectina de cladódios de Opuntia fícus indica (OfiL) não resultou em indução de mortalidade após 7 e 15 dias em nenhuma das concentrações testadas, visto que não houve diferença significativa em relação ao controle (p > 0,05). Os resultados sugerem que OfiL estaria interferindo no processo de digestão e assimilação de nutrientes. Em relação aos testes enzimáticos, a lectina apresentou efeito estimulatório sobre a atividade de proteases. Esse efeito pode ser positivo para os insetos, caso o estímulo de proteases facilite a digestão, mas também pode ser negativo, pois uma proteólise descontrolada pode afetar o intestino a ponto de danificar a sua organização, bem como causar a hidrólise indevida de outras proteínas, incluindo enzimas. Esses efeitos prejudicariam tanto a digestão quanto a absorção dos nutrientes.

No teste de atividade de tripsina, não foi detectada nenhuma alteração na atividade dessa enzima quando o extrato de intestino dos insetos foi incubado com a lectina. Esse resultado indica que a tripsina não está entre as proteases estimuladas por OfiL. Com relação aos testes de fosfatase ácida e alcalina, não foi detectada a atividade dessas enzimas no extrato de intestino de S. zeamais utilizados nesse trabalho. Isto pode indicar a ausência de fosfatase nesses insetos ou, se presentes, essas enzimas estariam um estado bastante diluído, não sendo possível detectar. As espécies vegetais avaliadas neste projeto constituem potenciais fontes de compostos tóxicos sobre a praga agrícola S. zeamais. E ainda, os resultados aqui apresentados possuem relevância econômica e social para o Estado, pois apontam alternativas ecologicamente favoráveis para controle de praga de importância agrícola.

Pesquisadora

Tatiana Soares – tatiana.soares@cetene.gov.br

Colaborador

Thiago Henrique Napoleão

Ano de pesquisa

2016-2018

Órgão Parceiro

UFPE